Comprar ou vender um imóvel é um passo importante que, muitas vezes, envolve contratos longos, termos jurídicos e garantias que nem sempre são fáceis de entender. No entanto, as cláusulas têm papel fundamental para trazer mais segurança às negociações, especialmente quando o pagamento acontece de forma parcelada ou por meio de financiamento. Uma delas é o pacto marciano, um mecanismo jurídico que vem ganhando espaço no mercado imobiliário justamente por buscar equilíbrio entre os interesses de quem vende, de quem compra e de quem concede o crédito.
Embora o nome seja curioso, o pacto marciano não tem nada de complicado. Quer entender, na prática, o que é o pacto marciano, como ele funciona e em quais situações aparece na compra e venda de imóveis? Continue a leitura e descubra tudo o que você precisa saber antes de assinar um contrato.
O que é o pacto marciano?
O pacto marciano é uma cláusula contratual utilizada em negociações imobiliárias, especialmente em contratos de compra e venda com pagamento parcelado ou em operações de financiamento em que o imóvel é oferecido como garantia. De forma simplificada, ele define o que acontece caso o comprador não consiga cumprir com o pagamento da dívida, estabelecendo regras claras para a quitação do valor devido sem gerar prejuízo injusto para nenhuma das partes.
Na prática, o pacto marciano permite que o imóvel seja usado para quitar a dívida, mas sempre com base em uma avaliação justa de mercado. Isso significa que, se o bem valer mais do que o saldo devedor no momento da inadimplência, o comprador tem direito de receber a diferença. Esse cuidado é o que torna o pacto marciano um instrumento legal e equilibrado, já que impede que o credor fique com um patrimônio de valor superior ao da dívida, promovendo mais transparência e segurança jurídica nas transações imobiliárias.
Como o pacto marciano funciona na prática

O funcionamento do pacto marciano acontece de forma preventiva, uma vez que a cláusula já é incluída no contrato no momento da compra e venda ou do financiamento do imóvel. Assim, todas as regras ficam previamente acordadas entre as partes, trazendo mais previsibilidade caso ocorra algum problema no pagamento ao longo do contrato.
Se houver inadimplência, o imóvel dado como garantia passa por uma avaliação de mercado, feita por um profissional ou empresa independente. Esse valor é usado como referência para quitar a dívida existente. Caso o preço do imóvel seja superior ao saldo devedor, o valor excedente deve ser devolvido ao comprador. Por outro lado, se o valor não for suficiente para cobrir a dívida, o contrato pode prever outras formas de compensação. Esse modelo busca assegurar que o processo seja justo, evitando abusos e reduzindo conflitos na compra e venda de imóveis.
Pacto marciano x pacto comissório: entenda a diferença

O pacto marciano e o pacto comissório não são a mesma coisa e essa diferença é fundamental na compra e venda de imóveis. O pacto comissório é proibido pela legislação brasileira porque permite que o credor fique com o imóvel automaticamente em caso de inadimplência, sem qualquer tipo de avaliação justa ou devolução de valores ao devedor. Na prática, isso pode gerar enriquecimento indevido e desequilíbrio na relação contratual.
Já o pacto marciano é considerado válido justamente por estabelecer limites claros. Ele exige que o imóvel seja avaliado pelo valor de mercado e garante que, se o bem valer mais do que a dívida, a diferença seja devolvida ao comprador. Esse cuidado torna o pacto marciano uma alternativa legal e mais equilibrada, protegendo ambas as partes e trazendo mais segurança jurídica às transações imobiliárias.
Cuidados ao assinar um contrato com pacto marciano

Embora o pacto marciano seja uma ferramenta que protege tanto compradores quanto vendedores, é fundamental ter atenção antes de assinar qualquer contrato que inclua essa cláusula:
1. Leia o contrato com atenção
Antes de assinar, é essencial ler todo o documento, destacando a cláusula específica do pacto marciano. Verifique se estão claramente definidas as condições de inadimplência, os prazos e os critérios de execução da cláusula. Caso surjam dúvidas, registre-as para discutir com o corretor ou advogado.
2. Entenda como será feita a avaliação do imóvel
O contrato deve prever que, em caso de inadimplência, o imóvel será avaliado por um profissional ou empresa independente, refletindo o valor de mercado atual. Isso garante que nenhuma das partes seja prejudicada e que a transação permaneça justa.
3. Verifique a devolução de valores excedentes
Se o valor do imóvel for superior ao saldo devedor, o contrato deve indicar claramente que a diferença será devolvida ao comprador, assim como o prazo e a forma de reembolso.
4. Conheça os prazos e condições de inadimplência
É importante entender desde quando a cláusula pode ser acionada e quais notificações devem ser enviadas, garantindo transparência no processo e evitando surpresas.
5. Busque orientação jurídica especializada
Mesmo em negociações com grandes instituições financeiras, é recomendado consultar um advogado para analisar os termos e interpretar seus direitos e responsabilidades, prevenindo problemas futuros.
6. Converse com o corretor ou instituição financeira
Esclareça todas as dúvidas e, se possível, peça exemplos práticos de situações reais em que o pacto marciano foi aplicado. Isso ajuda a compreender como a cláusula funciona na prática e aumenta a segurança da negociação.
Com atenção aos cuidados na assinatura do contrato e conhecimento de como a cláusula funciona na prática, é possível realizar transações mais justas, transparentes e tranquilas.