Se a arquitetura é a arte de construir espaços, a música é a arte de preencher o tempo. Quando essas duas expressões se unem, o lar deixa de ser apenas um lugar para morar e se torna um ambiente que reflete muita personalidade. A seguir, o S&M traz dicas da arquiteta Isabella Nalon, que compartilha sobre como fazer uma decoração com instrumentos musicais para compor ambientes, elevando o estilo e a beleza da sua casa.
A fusão entre música e decoração é o segredo para criar apartamentos que contam histórias e expressam o jeito de ser de seus moradores
Uma conexão com harmonia e proporção

A união entre arquitetura e música não é uma novidade, mas um diálogo constante que remonta ao Renascimento. Ambas se estruturam na relação entre princípios estéticos e conceituais comuns: ritmo, proporção, harmonia e textura.
Esses elementos, embora aplicados de maneira distinta – em composições visuais ou sonoras -, compartilham uma base que já era apontada por Leon Battista Alberti, arquiteto, teórico de arte e humanista italiano no século XV. Essa base é a matemática e a geometria, que garantem a proporção e a harmonia perfeitas, tanto na estrutura de um prédio, quanto na escala de uma melodia. O objetivo final é o mesmo: criar experiências que influenciam como o morador se sente no espaço.
Decoração com instrumentos musicais, uma questão de estilo

Para a arquiteta Isabella Nalon, que integra instrumentos musicais nos projetos quando há apreço do morador, essa conexão é um portal para a expressão pessoal. “A música tem a capacidade de transformar um ambiente em experiência. Não se trata apenas de decorar, mas de expressar a identidade e a paixão que emanam”, afirma Isabella Nalon.
Como incorporar essa paixão e estilo musical na decoração de seu lar
1. Peças de destaque e afeto

Instrumentos musicais são mais do que objetos de lazer; são símbolos de identidade e podem ser tratados como verdadeiras obras de arte no décor.
- Protagonismo estratégico: um piano de cauda pode se tornar o ponto central de uma sala de estar sofisticada. O instrumento, em harmonia com o piso amadeirado, evoca um clima de época.
- Exibição em paredes: em vez de guardar a guitarra, fixe-a na parede do quarto ou do home office. Ela se transforma em um elemento decorativo que caracteriza a paixão do morador. “Meu intuito é trazer a música para o cotidiano e posicionar o instrumento como parte da decoração e da vida”, explica Isabella.
- Acessibilidade casual: para instrumentos menores, como o violão, basta deixá-lo repousando em um suporte discreto na sala. O instrumento fica ao alcance e integra-se naturalmente ao ambiente. A arquiteta observa: “Nem todo mundo precisa de um estúdio ou de um espaço exclusivo para a música. Às vezes, basta deixar o instrumento ao alcance de quem chega.”
2. Criando um refúgio sonoro na decoração com instrumentos musicais

Para músicos ativos, o desafio é unir o prazer da prática com o conforto acústico para o entorno, especialmente em apartamentos.
- Estúdio temático de rock: Isabella conta que em um projeto transformou um dormitório em um estúdio com soluções acústicas e um forte apelo visual, remetendo a um barzinho de rock. Elementos como o tijolinho rústico, iluminação industrial e pôsteres temáticos fixados na parede criaram um “palco pessoal”.
“A magia está justamente em entregar um local onde nosso morador possa se expressar”, diz a arquiteta sobre a importância de se ter um ambiente personalizado.
Seja com um instrumento em destaque na sala, uma coleção de discos que conta histórias ou um refúgio sonoro pensado para a prática musical, o importante é criar uma atmosfera que dialogue com a identidade do morador. Assim, o lar deixa de ser apenas um conjunto de ambientes bem resolvidos e passa a ser um lugar onde cada detalhe compõe uma verdadeira sinfonia de estilo, sensibilidade e bem-estar.