Se a arquitetura é a arte de construir espaços, a música é a arte de preencher o tempo. Quando essas duas expressões se unem, o lar deixa de ser apenas um lugar para morar e se torna um ambiente que reflete muita personalidade. A seguir, o S&M traz dicas da arquiteta Isabella Nalon, que compartilha sobre como fazer uma decoração com instrumentos musicais para compor ambientes, elevando o estilo e a beleza da sua casa.

A fusão entre música e decoração é o segredo para criar apartamentos que contam histórias e expressam o jeito de ser de seus moradores

Uma conexão com harmonia e proporção

Decoração com instrumentos musicais, guitarra acústica e ukulele na parede verde, decorando um ambiente moderno e criativo.
Foto: Pixel-Shot/ Shutterstock

A união entre arquitetura e música não é uma novidade, mas um diálogo constante que remonta ao Renascimento. Ambas se estruturam na relação entre princípios estéticos e conceituais comuns: ritmo, proporção, harmonia e textura.

Esses elementos, embora aplicados de maneira distinta – em composições visuais ou sonoras -, compartilham uma base que já era apontada por Leon Battista Alberti, arquiteto, teórico de arte e humanista italiano no século XV. Essa base é a matemática e a geometria, que garantem a proporção e a harmonia perfeitas, tanto na estrutura de um prédio, quanto na escala de uma melodia. O objetivo final é o mesmo: criar experiências que influenciam como o morador se sente no espaço.

Decoração com instrumentos musicais, uma questão de estilo

Decoração com instrumentos musicais, destacando um piano preto decorado com partitura e enfeites florais.
Foto: Followtheflow/ Shutterstock

Para a arquiteta Isabella Nalon, que integra instrumentos musicais nos projetos quando há apreço do morador, essa conexão é um portal para a expressão pessoal. “A música tem a capacidade de transformar um ambiente em experiência. Não se trata apenas de decorar, mas de expressar a identidade e a paixão que emanam”, afirma Isabella Nalon.

Como incorporar essa paixão e estilo musical na decoração de seu lar

1. Peças de destaque e afeto

Ssala de estar moderna com parede rosa, decorada com discos de vinil, fotos, um sofá branco com almofadas, violões, uma mesa redonda de madeira, e uma cômoda.
Foto: Pixel-Shot/ Shutterstock

Instrumentos musicais são mais do que objetos de lazer; são símbolos de identidade e podem ser tratados como verdadeiras obras de arte no décor.

  • Protagonismo estratégico: um piano de cauda pode se tornar o ponto central de uma sala de estar sofisticada. O instrumento, em harmonia com o piso amadeirado, evoca um clima de época.
  • Exibição em paredes: em vez de guardar a guitarra, fixe-a na parede do quarto ou do home office. Ela se transforma em um elemento decorativo que caracteriza a paixão do morador. “Meu intuito é trazer a música para o cotidiano e posicionar o instrumento como parte da decoração e da vida”, explica Isabella.
  • Acessibilidade casual: para instrumentos menores, como o violão, basta deixá-lo repousando em um suporte discreto na sala. O instrumento fica ao alcance e integra-se naturalmente ao ambiente. A arquiteta observa: “Nem todo mundo precisa de um estúdio ou de um espaço exclusivo para a música. Às vezes, basta deixar o instrumento ao alcance de quem chega.”

2. Criando um refúgio sonoro na decoração com instrumentos musicais

Ambiente de refúgio sonoro com instrumentos musicais na decoração, projetado pela arquiteta Isabella Nalon, com bateria, guitarras e decoração vintage
Projeto Estúdio temático de rock, da arquiteta Isabella Nalon (Foto: Julia Hermann Fotografia)

Para músicos ativos, o desafio é unir o prazer da prática com o conforto acústico para o entorno, especialmente em apartamentos.

  • Estúdio temático de rock: Isabella conta que em um projeto transformou um dormitório em um estúdio com soluções acústicas e um forte apelo visual, remetendo a um barzinho de rock. Elementos como o tijolinho rústico, iluminação industrial e pôsteres temáticos fixados na parede criaram um “palco pessoal”.

“A magia está justamente em entregar um local onde nosso morador possa se expressar”, diz a arquiteta sobre a importância de se ter um ambiente personalizado.

Seja com um instrumento em destaque na sala, uma coleção de discos que conta histórias ou um refúgio sonoro pensado para a prática musical, o importante é criar uma atmosfera que dialogue com a identidade do morador. Assim, o lar deixa de ser apenas um conjunto de ambientes bem resolvidos e passa a ser um lugar onde cada detalhe compõe uma verdadeira sinfonia de estilo, sensibilidade e bem-estar.