À medida que a vida se torna cada vez mais conectada às telas, os espaços que habitamos começam a assumir novas funções. O quarto, antes apenas um refúgio de descanso, tornou-se cenário de estudo, trabalho, lazer e socialização digital. Esse fenômeno, que atinge especialmente os jovens, a chamada “geração do quarto”, reflete uma mudança silenciosa na forma como nos relacionamos com a casa e com o mundo ao redor.
Passar tanto tempo em um único ambiente pode trazer desafios para o bem-estar e para a convivência, mas é possível transformar essa realidade. Com pequenas escolhas de design, organização e integração dos espaços, é possível equilibrar tecnologia, descanso e interação, fazendo da casa um lugar mais leve, acolhedor e saudável. Quer saber como? Continue a leitura!
De onde vem o fenômeno “geração do quarto”?

O comportamento da “geração do quarto” reflete mudanças recentes: a tecnologia cada vez mais presente, o ensino remoto, o trabalho híbrido e a vida digital intensificada. Para muitos jovens, o quarto deixou de ser apenas um espaço de descanso e concentra quase todas as atividades do dia a dia, funcionando como uma extensão do mundo virtual, tema que também aparece na série Adolescência, da Netflix.
Essa dinâmica evidencia como nos relacionamos com o lar e com os outros. Quando o quarto se torna o centro de tudo, os espaços comuns e a convivência familiar ficam em segundo plano. Refletir sobre isso abre espaço para soluções de design e organização que tragam equilíbrio, bem-estar e um novo olhar sobre a casa.
Do confinamento à expansão: abrindo o quarto para a casa
Transformar o quarto em um espaço mais aberto, leve e conectado à casa é uma forma de equilibrar o tempo de tela com a presença no ambiente físico. O design pode ajudar a criar essa sensação de expansão, trazendo mais luz, movimento e vitalidade ao dia a dia.
Integrar o quarto à varanda

Alguns apartamentos contam com quartos que têm varanda. A integração desses espaços pode ser uma forma natural de reduzir o isolamento. Abrir portas de correr, remover barreiras, ampliar o vão das janelas ou usar cortinas leves permite que o quarto se conecte ao exterior, trazendo mais luz, ventilação e sensação de amplitude.
Trazer o verde para perto

As plantas têm um poder transformador. Além de purificarem o ar, elas trazem vida e movimento ao ambiente. Mesmo um pequeno vaso na escrivaninha ou um jardim vertical na varanda já fazem diferença. Espécies fáceis de cuidar, como jiboia ou lírio-da-paz, são ideais para quem passa muito tempo dentro de casa, mas quer sentir o frescor da natureza por perto.
Ampliar a iluminação natural

A luz natural tem o poder de influenciar o humor e ampliar a percepção do espaço. Colocar a mesa de estudos ou trabalho próxima à janela, usar cortinas translúcidas e apostar em tons claros nas paredes são maneiras de aproveitar melhor a claridade do dia. Mais do que estética, essa escolha ajuda a reconectar corpo e mente ao ritmo da natureza.
Para quem dispõe de pouca luz natural, luminárias com temperatura de cor mais quente podem simular a luz do sol, oferecendo conforto visual e mantendo a sensação de acolhimento no ambiente (Veja aqui!).
Inserir cores que estimulam vitalidade

As cores são aliadas na hora de renovar a atmosfera do quarto. Você pode apostar em tons de verde que remetem à natureza e promovem relaxamento ou amarelos suaves que estimulam energia e criatividade. Cores terrosas, por sua vez, trazem acolhimento e sensação de estabilidade.
Pequenos detalhes, como uma parede em tom vibrante, almofadas coloridas ou roupas de cama em tecidos naturais, já transformam o ambiente, trazendo mais vida, harmonia e bem-estar ao espaço.
Saiba mais: Colorimetria é maneira de usar as cores sem medo
Usar móveis modulares e multifuncionais

Em um ambiente que acumula tantas funções, a flexibilidade é essencial. Móveis modulares, prateleiras suspensas e bancadas retráteis permitem adaptar o quarto às diferentes necessidades do dia. Essa versatilidade amplia o espaço útil e evita a sensação de confinamento, transformando o cômodo em um lugar que se ajusta à rotina, e não o contrário.
Um mesmo ambiente pode abrigar o trabalho durante o dia e o descanso à noite, bastando algumas trocas sutis, como recolher o notebook e acender uma luz indireta. Pequenas mudanças que criam novos usos e novas sensações.
Organização e saúde mental: menos estímulos, mais calma

Ambientes com excesso de estímulos, como telas, fios e objetos espalhados, podem gerar ansiedade e dificultar a concentração. Em quartos que concentram estudo, trabalho e lazer, organização e design minimalista podem ajudar a reduzir a sobrecarga visual e trazer mais clareza mental. Veja algumas formas de aplicar:
Reduzir o excesso de informações visuais
Telas ligadas o tempo todo, estantes lotadas e cores muito contrastantes sobrecarregam os sentidos. Apostar em uma decoração mais limpa, com poucos elementos à mostra, traz um certo alívio.
Caixas organizadoras, nichos embutidos e móveis com portas fechadas ajudam a esconder o que não precisa estar visível. Um bom exemplo é substituir prateleiras abertas por armários discretos, mantendo apenas alguns objetos significativos expostos.
Criar zonas bem definidas dentro do quarto

Dividir o ambiente por funções, como um canto para trabalhar, outro para descansar, ajuda o cérebro a entender quando é hora de focar e quando é hora de relaxar. Tapetes, biombos leves ou diferenças sutis de iluminação podem marcar essa separação.
Por exemplo, uma luminária de luz branca próxima à escrivaninha e uma luz amarelada, mais suave, perto da cama. São detalhes que reforçam a ideia de equilíbrio.
Apostar no poder das texturas e da iluminação

A textura dos materiais influencia o bem-estar tanto quanto as cores. Tecidos naturais, tapetes macios e cortinas de linho criam uma sensação de aconchego e reduzem o impacto dos estímulos digitais.
Já a iluminação pode ser usada como ferramenta de desaceleração, luzes indiretas e quentes favorecem o descanso e ajudam a reduzir o ritmo acelerado das telas.
Incluir pausas visuais e sensoriais

Ter um espaço “neutro” dentro do quarto, uma parede sem quadros, uma área livre de objetos ou uma janela sem cortina pesada, cria momentos de respiro para os olhos.
Além disso, pequenos gestos, como abrir a janela pela manhã ou acender uma vela ao anoitecer, ajudam a desacelerar o ritmo e a reconectar com o presente. São pausas que não exigem esforço, mas fazem diferença no bem-estar.
Com um novo olhar sobre o quarto como extensão da vida moderna, você consegue identificar oportunidades de tornar o espaço um aliado para regular a rotina e agregar mais qualidade de vida para as crianças e jovens da geração do quarto.