“Cama de tatame pela vida afora”, canta Gilberto Gil em “Drão”, evocando a praticidade e conforto que o móvel trouxe durante seus anos de exílio. Essa versatilidade, que permite à peça se adaptar a diferentes lares, climas e estilos, é o que garante uma “bossa” autêntica ao décor contemporâneo. Mais que um item oriental, ela representa um manifesto de flexibilidade para quem busca funcionalidade e leveza em qualquer espaço.
O que é uma cama tatame ou cama japonesa?
É uma peça formada por uma base baixa, inspirada na estética japonesa, que prioriza a proximidade com o chão. No design atual, ela se traduz em estruturas de madeira simples e robustas, muitas vezes modulares. Sua principal característica é a ausência de excessos, funcionando como uma plataforma que sustenta o colchão de forma direta e eficiente, integrando-se ao ambiente de maneira orgânica.
Versatilidade: onde usar a cama tatame além do quarto?

A grande mágica da base tatame é que ela não possui “rótulos”. Veja como ela pode circular pela casa:
- Na sala como daybed: com algumas almofadas de encosto, a base vira um sofá profundo e convidativo para relaxar ou receber amigos.
- No escritório ou cantinho de leitura: funciona como um apoio para pausas durante o dia ou como uma cama extra para hóspedes, sem carregar o visual de “quarto” no ambiente de trabalho.
- Em varandas cobertas: cria um espaço zen para meditação ou descanso, reforçando a conexão com materiais naturais.
Vantagens: por que ela se adapta a tudo?
A escolha por esse modelo reflete um estilo de vida prático. Portanto, confira alguns dos pontos positivos da peça:
- Adaptabilidade total: por ter um design neutro e linhas retas, ela transita bem entre o estilo rústico, industrial ou escandinavo.
- Facilidade de transporte: muitos modelos são pensados para montagem simples, facilitando a vida de quem muda de casa com frequência, como o próprio Gil sugeriu na música.
- Amplitude e respiro: em cidades densas, onde o espaço é luxo, a baixa estatura da cama deixa o campo visual livre, dando a sensação de que o quarto é maior e mais arejado.
- Custo-benefício: pela simplicidade estrutural, costuma ser uma opção mais acessível e durável que camas box tecnológicas ou cabeceiras estofadas complexas.
Desvantagens: o que observar?
No entanto, para que a cama tatame dure “vida afora” e seja confortável, vale notar:
- Esforço físico: a altura exige maior flexibilidade para sentar e levantar, o que pode ser um ponto negativo para pessoas com dores crônicas ou idade avançada.
- Ventilação do colchão: bases muito rentes ao chão sem circulação de ar interna podem acumular umidade. É recomendável escolher bases com pequenos pés ou estrados que permitam o respiro.
- Materiais e acabamentos: são o segredo da durabilidade. Observe bem esses dois elementos ao escolher sua cama tatame.
Sugestões para escolha dos materiais

- Pinus: é a opção mais econômica e leve. Possui uma cor clara que traz um ar escandinavo e moderno ao quarto. É ideal para quem busca um móvel fácil de manusear.
- Eucalipto ou cedro: são madeiras mais densas e resistentes a cupins. Além disso, têm tonalidades mais quentes e avermelhadas, ótimas para criar um ambiente aconchegante.
- Compensado naval: muito usado no design industrial, é extremamente resistente à umidade e permite cortes precisos, garantindo um visual contemporâneo e urbano.
- Acabamento em cera ou verniz fosco: para manter o toque natural da madeira, prefira ceras de abelha ou vernizes foscos, que protegem o móvel sem criar aquele brilho artificial, mantendo a “bossa” da peça.
Dicas para usar a cama tatame em ambientes pequenos
Se o espaço é reduzido, a cama tatame pode ser a solução estratégica ideal. Contudo, veja algumas dicas para melhor aproveitar o ambiente:
1. Elimine móveis extras
Escolha uma base que seja cerca de 20 centímetros maior que o colchão. Dessa forma, o espaço extra na própria madeira substitui a necessidade de um criado-mudo, servindo para apoiar luminárias, óculos e livros, liberando a área de circulação no piso.
2. Aproveite o pé-direito
Com a cama baixa, você ganha “parede livre”. Use isso a seu favor instalando prateleiras altas para livros ou objetos que você não usa diariamente. Assim, você verticaliza a organização sem poluir a visão de quem está deitado.
3. Tapetes como delimitadores
Em apartamentos tipo estúdio, onde o quarto e a sala se misturam, dê preferência a um tapete de textura natural (como sisal ou algodão) sob o tatame. Desse modo, você ajuda a delimitar visualmente onde termina a área de dormir e onde começa o restante da casa, sem precisar de divisórias físicas.
4. Cores neutras e fluidez
Para que a cama não pareça um bloco pesado no meio do quarto pequeno, opte por madeiras claras (como o Pinus) ou pinte a base da mesma cor do piso. Isso cria uma continuidade visual que amplia o cômodo.
Um investimento em leveza
Escolher uma cama tatame é abraçar um estilo de vida mais simples e descomplicado. Ao priorizar materiais naturais e uma estrutura funcional, você transforma seu quarto em um refúgio de tranquilidade que não depende de grandes metragens para ter estilo. Seja em madeira clara para um visual suave ou em tons naturais para algo mais rústico, essa peça se molda às suas fases e necessidades. Afinal, como na música, o que é bom e prático merece nos acompanhar pela vida afora.