Entra janeiro e começam as liquidações de início de ano – um convite perigoso à impulsividade, especialmente para quem busca aliviar a frustração, o estresse ou se “recompensar” através do consumo. Dessa forma, as compras podem virar uma “terapia” cara e vazia. Essa relação entre emoção e endividamento é evidenciada pelo próprio Serasa, que aponta que a saúde emocional está intimamente ligada às dívidas e ao consumo por impulso. Que tal ir contra as estatísticas e fazer uma escolha diferente: trocar o prazer momentâneo por conquistas reais, como a realização do sonho da casa própria.
O risco da compra como terapia
A conexão entre saúde mental e saúde financeira nunca foi tão evidente, especialmente no período de liquidações. O consumo, nesse contexto, surge como uma fuga ou um paliativo. O ato de comprar, muitas vezes, provoca uma liberação imediata de dopamina, gerando uma sensação de prazer e alívio rápido. No entanto, essa satisfação é efêmera. Quando o item é guardado ou o extrato do cartão de crédito chega, a sensação de culpa e o estresse financeiro retornam, muitas vezes mais intensos.
Segundo o levantamento do Serasa em parceria com o Instituto de Pesquisa Opinion Box, mais da metade dos brasileiros (54%) já acumulou dívidas em função de problemas emocionais, como ansiedade ou estresse. O dado de que 46% dos brasileiros afirmam já terem feito compras por impulso para se sentir melhor emocionalmente reforça a urgência de tratar a raiz do problema, e não apenas o sintoma financeiro.
Transformando impulso em propósito

A chave para sair desse ciclo não é parar de comprar, mas sim praticar o consumo consciente, canalizando a energia do impulso para objetivos de longo prazo. Para isso:
1. Identifique o gatilho
Antes de finalizar uma compra não planejada, pare e pergunte-se: “Por que estou comprando isso agora? É uma necessidade ou estou tentando preencher um vazio emocional?” Se a resposta for a segunda opção, procure uma alternativa não financeira (como uma caminhada, meditação ou conversar com um amigo) para lidar com a emoção.
2. Espere 24 horas
Adote a regra das 24 horas para compras de valor não essencial. E, se a compra for online, melhor ainda! Coloque o item no carrinho e volte no dia seguinte. Muitas vezes, a urgência desaparece, e você percebe que a compra não era necessária.
3. Crie um orçamento antiestresse
Tenha um orçamento que priorize a quitação de dívidas e a criação de uma reserva de emergência. A segurança de saber que suas finanças estão organizadas é o maior “remédio” contra a ansiedade financeira.
Foco na conquista sem o impulso da compra por terapia
A diferença entre o consumo por terapia e o consumo consciente reside na duração e na profundidade da satisfação. A compra por impulso oferece prazer fugaz; já o investimento de valor gera satisfação real, segurança e legado. Um exemplo clássico de uma compra com efeito duradouro é o investimento em grandes objetivos de vida, é compra do primeiro imóvel.
Veja aqui como usar o 13º Salário para realizar o sonho da casa própria
Por que comprar um imóvel é a “antítese” da compra por impulso?

Ao contrário de uma peça de roupa ou eletrônico, a compra do seu apê exige planejamento, disciplina e foco. Ela transforma a sua “intenção de compra” em um objetivo palpável, forçando você a adotar uma mentalidade de longo prazo.
- Segurança e estabilidade: um imóvel representa segurança para você e sua família, um pilar de estabilidade que nenhum item de consumo imediato pode oferecer.
- Investimento real: o bem não se desvaloriza na mesma velocidade de um bem de consumo e, em muitos casos, se valoriza, funcionando como um patrimônio.
- Motivação duradoura: o esforço de economizar e planejar o futuro é constantemente recompensado pela visão da sua casa própria, oferecendo um bem-estar emocional que se sustenta ao longo dos anos.
Ao redirecionar o dinheiro que seria gasto em pequenos impulsos para um fundo de reserva ou para a entrada do seu futuro imóvel, você pode transformar uma fonte de estresse (como uma compra desnecessária) em uma fonte de motivação e realização pessoal.
Comece hoje a transformar seus gastos impulsivos em tijolos para a sua próxima grande conquista. A verdadeira terapia não está no que você compra, mas no futuro seguro e planejado que você constrói.