Muitos brasileiros ganham pouco, mas sonham em comprar a casa própria. E, ao contrário do que muitos pensam, comprar um apê ganhando salário mínimo é – sim – possível! Hoje em dia existem facilidades e benefícios, como a composição de renda e do subsídio habitacional, que podem ajudar o trabalhador a conquistar o primeiro imóvel.
Confira a seguir algumas informações que podem tirar as suas dúvidas sobre como comprar o primeiro imóvel mesmo tendo como renda apenas o salário base, que atualmente é de R$ 1.621,00.
Compor renda familiar é a melhor forma de comprar um apê ganhando salário mínimo
O programa habitacional do Governo Federal, Minha Casa, Minha Vida, permite que famílias financiem imóveis com condições mais acessíveis, como taxas de juros reduzidas e possibilidade de subsídios, de acordo com a faixa de renda. Atualmente, o programa atende famílias com renda mensal de até R$ 8 mil, podendo chegar a R$ 12 mil na faixa 4, voltada à classe média.
Para quem deseja comprar um apartamento, mas recebe até um salário mínimo, uma alternativa comum é compor renda com outro familiar, como cônjuge, pais ou filhos, respeitando as regras da instituição financeira responsável pelo financiamento. Ao somar rendas, é possível aumentar o valor do crédito aprovado e, consequentemente, buscar um imóvel melhor, desde que as parcelas continuem dentro do limite permitido.
Em geral, o valor da prestação não pode ultrapassar 30% da renda bruta familiar. Isso significa que, com o salário mínimo vigente de R$ 1.612, a parcela máxima do financiamento ficaria em torno de R$ 483,60, garantindo que o compromisso caiba no orçamento sem comprometer outras despesas essenciais.
O subsídio habitacional beneficia quem tem renda mais baixa

Uma outra alternativa para conseguir comprar um imóvel mesmo ganhando pouco é recorrer ao subsídio habitacional, uma espécie de “desconto” liberado pelo Governo Federal para que as famílias de baixa renda consigam financiar a casa própria. Este benefício pode ser usado para abater do valor total do apartamento ou casa, diminuindo, assim, o custo do financiamento e deixando as parcelas mais baratas. Desse modo, quanto menor for a renda familiar (salário mínimo, por exemplo), maior o valor do subsídio habitacional concedido.
Atualmente, os subsídios do Minha Casa, Minha Vida podem chegar a R$ 55 mil, variando conforme fatores como renda familiar, localização do imóvel, capacidade de pagamento e características sociais da família. Esses valores são definidos a partir das regras do programa e podem mudar de acordo com a região do País e o perfil do comprador, ajudando a reduzir significativamente o valor financiado e o custo das parcelas.
Além do subsídio federal, os subsídios estaduais oferecidos por alguns estados ampliam as oportunidades para a compra do primeiro apê.
Quem pode solicitar o subsídio?
- Todo cidadão brasileiro ou naturalizado no País que tenha acima de 18 anos.
- Pessoas que não possuem nenhum imóvel em seu nome.
- Pessoas que não tenham participado de nenhum programa habitacional do governo.
- Pessoas que se enquadram em um dos grupos de renda do programa Minha Casa Minha Vida.
Faça um planejamento financeiro antes de solicitar o financiamento
Antes de pensar em financiamento ou subsídios, é essencial olhar para a própria realidade financeira. Organizar o orçamento, entender para onde o dinheiro vai e colocar as contas em dia são passos básicos e indispensáveis para quem quer sair do aluguel e conquistar a casa própria com mais segurança.
- Tenha controle do seu orçamento: sem organizar as finanças e eliminar dívidas, fica muito mais difícil sair do aluguel e dar entrada em um financiamento imobiliário.
- Mapeie todas as suas rendas: considere não apenas o salário do emprego principal, mas também bicos, trabalhos extras e outras fontes de renda.
- Liste todos os gastos mensais: inclua aluguel, alimentação, transporte, contas fixas, escola dos filhos e despesas variáveis, preferencialmente em um só lugar. Pode ser uma planilha, aplicativo, caderno ou computador. O importante é acompanhar os gastos mês a mês e anotar as despesas conforme elas acontecem.
- Busque equilíbrio financeiro: suas receitas precisam ser maiores do que suas despesas para que sobre dinheiro no fim do mês. Faça essa análise com cuidado.
- Quite as dívidas: manter a renda comprometida e o nome negativado em órgãos de proteção ao crédito reduz drasticamente as chances de aprovação do financiamento.
- Mantenha o nome limpo: um bom histórico financeiro aumenta significativamente as chances de conquistar a casa própria.
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Economize dinheiro ou use o FGTS para comprar um apê com salário mínimo
Para comprar um imóvel, você precisa reservar um valor de entrada. Normalmente, essa quantia é de cerca de 10% a 30% do custo total da propriedade. No entanto, em programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida, esse valor pode ser reduzido, dependendo da faixa de renda e do valor do subsídio concedido.
Se você não tem uma reserva financeira para dar de entrada na sua casa própria, mas já trabalhou ou trabalha de carteira assinada, uma boa opção é utilizar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). No entanto, existem alguns requisitos estabelecidos pelo Governo Federal para a utilização deste recurso. Confira!
- Ter pelo menos três anos de trabalho sob o regime do FGTS, consecutivos ou não;
- Não possuir financiamento ativo no Sistema Financeiro de Habitação (SFH);
- Não ser proprietário de outro imóvel residencial no município onde mora ou trabalha, nem em regiões próximas;
- Atender às regras específicas do financiamento e da instituição financeira responsável pelo contrato.
Se estiver dentro das condições, será possível utilizar o saldo do seu FGTS para comprar um apartamento com salário mínimo.
Pesquise, economize, se programe e, certamente, você terá – em breve – uma casa para chamar de sua.
Matéria originalmente publicada em 05/06/2022.